sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Com a boca no Gatilho - Parte 1

Sentado a sua escrivaninha ele tenta extrair algum prazer do copo de cachaça em sua frente.

Nunca foi de beber, mas lhe agradaria muito uma garrafa de whisky ao lugar da cachaça, assim ele tinha imaginado, assim ele havia visto na TV.
Ele toma mais um trago curto e seco da cachaça, sente a garganta e o estomago não acostumado a beber reclamar da qualidade da bebida, deseja novamente um belo copo de Whisky, mas desfaz esse pensamento com o consentimento de que o pouco dinheiro que tinha foi bem gasto no velho 38.

Um longo gole parece lhe amaciar o estomago, a garganta ainda parece rejeitar a bebida quente.

Levanta-se, enche o copo de bebida, não ousa levá-lo aos lábios, caminha calmamente pelo cômodo em direção a uma gaveta no criado-mudo e com cuidado desembrulha de uma velha flanela a única bala que possui para carregar o revolver, não que ele não pudesse adquirir outras, mas sim pela certeza que quanto maior o número de balas, maior seria o número de mortes. Por alguns instantes que não poderia dizer se foram minutos ou segundos ele se pega pensando se seria capaz de cometer assassinato, acredita que não, mas sente-se aliviado em ter em suas mãos uma única bala e esta com destino certo.

Dobra a flanela, guarda e fecha a gaveta, após tomar a maior decisão de sua vida ainda mesmo que irracionalmente cumpre ordens de sua mulher e não consegue deixar o quarto desarrumado, abre exceção ao tombar os porta-retratos com as fotos dos filhos, que fixam um olhar de pena ao pai, com lágrimas nos olhos vira às costas a procura do copo da bebida. Esquece o retrato da mulher ainda ereto sobre o criado mudo, propositalmente.

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