Ele queria odiá-la, pelos anos jogados no lixo, pela confiança traída, pelas crianças e principalmente por orgulho. Ele sabe que deveria odiá-la, ele desejava odiá-la e seu desejo acima de tudo era um desejo de morte.
Mas ele é fraco, ele a ama.
Com as crianças passando o fim de semana na casa da avó seu desejo era de que pudesse passar uma noite inesquecível com a mulher, vinho, musica romântica, sexo. Jurou a si mesmo que iria foder ela como nunca fodeo com outra, iria lhe dizer que a perdoava, iria lhe fazer carinhos madrugada adentro e daria um presente cujo qual ela nunca poderia esquecer: Uma bala na cabeça.
Em seus pensamentos tudo era perfeito, mas a realidade era contrária aos seus sonhos, na realidade ele era um fodido.
Suas crianças não voltariam para casa. Sua mulher esta noite provavelmente irá foder com outro homem de uma maneira que com certeza que ele nunca conseguiria e sabe que o máximo de romantismo que conseguiria ter seria uma punheta bem batida.
Fodido ou não está é sua noite, esta é sua oportunidade e este é seu momento. Volta à escrivaninha , substitui o vinho por outro copo de cachaça, coloca sem pressa sua única bala no velho 38, e o som do tambor girando cria música onde antes só havia respiração.
Uma mão carrega o tambor enquanto a outra tenta carregar a alma de coragem. Começa encontrar prazer na bebida barata que agora mais rapidamente vai se esvaziando do seu copo e por um instante acredita ter encontrado a solução para seus problemas, por um instante acredita ter encontrado a solução para todos os problemas do mundo, apenas por um instante, apenas por mais um momento de fraqueza.
Com poucos orgulhos na vida ele não desiste da decisão, era ele ou ela, não suportaria a idéia de um mundo onde um dos dois estivesse vivo, mas ele é fraco, ele a ama e como um dos dois tinha de morrer resolveu salvar a vida de sua amada tirando a própria, tudo isso parece muito bonito, muito poético e seria se sua escolha não se baseasse também no fato dele ser um fodido e sua vida ser uma merda.
A música para.
Seu braço calmamente levanta o revolver até a altura da cabeça, o tambor aponta a região do crânio acima da orelha tirando qualquer visão que poderia ter da cena. Suas mãos tremem e evidenciam o quanto é fraco, toma mais um trago sabendo que nada adiantará. Arrepende-se de ter apenas uma bala, com uma bala no tambor sua chance de sobreviver ao primeiro disparo é de 5 em 6.
Clack.
Não foi desta vez que pode descobrir o quanto a bala quente se distingue do gatilho frio.
Ele não suporta a dor de viver sem ela, ele não suporta a dor de ter sido traído.
Ele é fraco, ele a ama.
Apenas mais um trago.
Apenas mais uma chance.
Apenas mais uma nota. BAM.
Apenas mais uma vida.
segunda-feira, 8 de março de 2010
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