Pessoas como ele são conhecidas como bons vivants, que em francês significa aproveitar bem a vida por outras pessoas que desconhecem a origem do termo.
Pessoas como ele muitas vezes são vistas como parâmetro para outras que não fazem idéia por exemplo que o conhaque que esquenta sua fria noite é feito de uvas e não de cana.
Estas pessoas dificilmente um dia saberão que além da expressão bon vivant(ita), o cognac também tem origem na frança. Algumas dessas possivelmente nunca farão uma relação entre as palavras conhaque/cognac se não tiverem o privilégio de as verem juntas.
Mas todas estas pessoas têm inveja e desejam em silencio poder em uma noite fria se aquecer com uma garrafa de 240 reais de Cognac Gautier 250 Years, mesmo sem idéia nenhuma de que bebida é esta.
Inveja e desejo do desconhecido até então, reflexo de uma sociedade consumidora e seus ícones de boa vida, seus móveis Futon Company, seus charutos Montecristo e seus Cognacs Gautier. Ícones que de longe parecem ser a essência do bem estar humano.
Essas pessoas, comuns, acostumadas com lojas de varejo, maços de Malboro e cerveja barata deveriam a cada segundo agradecer pela vida rica que levam.
Dizem que o gramado do vizinho sempre é mais verde e a mesa é sempre mais farta, o que não deixa de ser verdade, mais nada disso vale quando em uma noite fria a boca se ocupa com cubanos e lençóis egípcios continuam limpos na cama vazia.
Em uma noite fria um Cognac Gautier tem o mesmo amargor da solidão de qualquer pinga barata.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Olhos Verdes.

Ela sempre me diz que eu sou apaixonado por eles.
Eu sempre digo que não, minto. Invento qualquer outra desculpa, palavras soltas para desviar o foco da questão.
Digo que gosto do seu sorriso, do seu corpo, do seu jeito. Outrora tento levar o assunto para uma sacanagem ou mudo completamente a questão com uma brincadeira, não importa. Qualquer desculpa é valida, já cheguei até a negar que gostasse dela. O importante mesmo é mudar o assunto.
Eu minto, faço isso descaradamente enquanto olho no fundo dos seus olhos verdes.
Na verdade, não vejo e não teria problemas em dizer que gosto de um par de olhos, o quanto são bonitos e que eles carregam Iris com minha cor predileta e que por isso os amo, apenas não faço isso, e nem eu mesmo sei por quê.
Pode ser que seja apenas uma brincadeira nossa, um jeito inocente de uma garota pedir elogios e um garoto ainda mais inocente fingir orgulho.
Eu digo que é apenas uma idiotice sem sentido.
Outros dizem que eu a amo e tenho medo de assumir.
Ela não diz nada a respeito.
Eu realmente gosto dela, isso ela sabe, eu já disse.
Se a amo, não sei.
A única certeza que tenho é que nunca em nenhum momento assumi gostar dos seus olhos.
Obs: Talvez um diga eu diga e vocês me desculpem, mas não vai ser por aqui, terei de fazer isso olhando o mais lindo par de olhos que conheço.
sábado, 3 de abril de 2010
Imaginem o mundo "perfeito".
E se todas as pessoas vivessem para o hoje?
Se não houvesse países, nem nada para lutar ou morrer, se não existissem religiões.
E se todas as pessoas pudessem e vivessem em paz, se todos fossem sonhadores e o mundo então vivesse como um só.
E se não existissem posses, ganância ou fome? Se fossemos como uma irmandade e compartilhássemos o mundo?
Imaginem, por um momento, se todas essas coisas acontecessem tudo o que o mundo iria ganhar e tudo que iria perder.
Imaginem, por um instante, se todos os problemas atuais na terra por ventura chegassem ao fim, acredito que tudo aparentemente seria perfeito, mesmo sem saber o rumo a qual tomaríamos.
Imaginem, somente por alguns segundos, o que poderíamos prever do mundo perfeito.
Eu fechei meus olhos e sem me aprofundar muito me dei conta de que se tudo isso realmente acontecer, uma música fará mais sentido do que jamais fez, será eternizada como um hino de vitória, reconquistando seu lugar nos rankings e rádios por todo mundo.
E se isso acontecer, aí sim teremos um grande problema.
Se não houvesse países, nem nada para lutar ou morrer, se não existissem religiões.
E se todas as pessoas pudessem e vivessem em paz, se todos fossem sonhadores e o mundo então vivesse como um só.
E se não existissem posses, ganância ou fome? Se fossemos como uma irmandade e compartilhássemos o mundo?
Imaginem, por um momento, se todas essas coisas acontecessem tudo o que o mundo iria ganhar e tudo que iria perder.
Imaginem, por um instante, se todos os problemas atuais na terra por ventura chegassem ao fim, acredito que tudo aparentemente seria perfeito, mesmo sem saber o rumo a qual tomaríamos.
Imaginem, somente por alguns segundos, o que poderíamos prever do mundo perfeito.
Eu fechei meus olhos e sem me aprofundar muito me dei conta de que se tudo isso realmente acontecer, uma música fará mais sentido do que jamais fez, será eternizada como um hino de vitória, reconquistando seu lugar nos rankings e rádios por todo mundo.
E se isso acontecer, aí sim teremos um grande problema.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Eu tenho medo de borboletas.
Tem uma mariposa ali.
Existem pessoas também, loucas e desesperadas, com medo da morte. Existem paredes, correntes e soldados armados.
Não existe fé ou esperança, aqui não existe felicidade ou amor. Aqui só existe o medo o frio e a fome.
Não temos comida.
O segredo para manter a mente sã é manter a cabeça vazia, tento não pensar em nada, exceto que tem uma mariposa ali e que irão me assassinar.
Tenho uma janela sem vista ao alto, um buraco no canto direito para as necessidades, um banco de madeira fixado na parede esquerda, talhado nele existe uma cruz e algumas palavras, ainda não as li, talvez por não ser religioso ou muito provavelmente por que é ali que a mariposa descansa, não sei se está viva, provavelmente não.
Minha cela está vazia, estou aqui há dois dias e conheço cada centímetro dela mais do que conheço meu próprio corpo.
Os gritos de socorro me mostram que há pelo menos mais 15 prisioneiros.
Os gritos de desespero me mostram seus desejos, suas dores e histórias.
Seus silêncios me lembram da morte.
Mais dois dias se passaram, pelas minhas contas hoje somos 13.
Mais um dia e o silêncio se torna cada vez maior, acredito estarmos em 10 ou menos, ouvi tiros ontem à noite.
Trazem-me comida, como um pouco e tento racionar o restante em vão, pouco tempo depois voltam para me tirar o que sobrou.
É possível ver o tempo passar pela luz que entra pelo sujo vidro da janela, não que o tempo me interesse, mas tenho medo da mariposa que divide a cela comigo e esta se move sempre para a luz.
As marcas no banco foram talhadas a unha, é o salmo 23:
O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente às águas tranquilas;
Refrigera a minha alma,
guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, porque tu estás comigo.
O Salmo termina na metade, pode ser que quem esteve aqui não pode completar sua obra, duvido, minha teoria é que ao escrevê-lo a pessoa percebeu que estas palavras simplesmente não têm valor quando realmente se precisa delas.
Ao passar dos dias você aprende que o silêncio pode ser muito mais aterrorizante que os gritos.Estou aqui a quase duas semanas e acredito estarmos em três hoje. A porta se abre e um homem sem muito esforço me puxa para fora da cela, eu sei que minha hora chegou, sinto-me aliviado. Não temo mais a morte, mas tenho medo de borboletas e tem uma mariposa bem ali.
Existem pessoas também, loucas e desesperadas, com medo da morte. Existem paredes, correntes e soldados armados.
Não existe fé ou esperança, aqui não existe felicidade ou amor. Aqui só existe o medo o frio e a fome.
Não temos comida.
O segredo para manter a mente sã é manter a cabeça vazia, tento não pensar em nada, exceto que tem uma mariposa ali e que irão me assassinar.
Tenho uma janela sem vista ao alto, um buraco no canto direito para as necessidades, um banco de madeira fixado na parede esquerda, talhado nele existe uma cruz e algumas palavras, ainda não as li, talvez por não ser religioso ou muito provavelmente por que é ali que a mariposa descansa, não sei se está viva, provavelmente não.
Minha cela está vazia, estou aqui há dois dias e conheço cada centímetro dela mais do que conheço meu próprio corpo.
Os gritos de socorro me mostram que há pelo menos mais 15 prisioneiros.
Os gritos de desespero me mostram seus desejos, suas dores e histórias.
Seus silêncios me lembram da morte.
Mais dois dias se passaram, pelas minhas contas hoje somos 13.
Mais um dia e o silêncio se torna cada vez maior, acredito estarmos em 10 ou menos, ouvi tiros ontem à noite.
Trazem-me comida, como um pouco e tento racionar o restante em vão, pouco tempo depois voltam para me tirar o que sobrou.
É possível ver o tempo passar pela luz que entra pelo sujo vidro da janela, não que o tempo me interesse, mas tenho medo da mariposa que divide a cela comigo e esta se move sempre para a luz.
As marcas no banco foram talhadas a unha, é o salmo 23:
O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente às águas tranquilas;
Refrigera a minha alma,
guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, porque tu estás comigo.
O Salmo termina na metade, pode ser que quem esteve aqui não pode completar sua obra, duvido, minha teoria é que ao escrevê-lo a pessoa percebeu que estas palavras simplesmente não têm valor quando realmente se precisa delas.
Ao passar dos dias você aprende que o silêncio pode ser muito mais aterrorizante que os gritos.Estou aqui a quase duas semanas e acredito estarmos em três hoje. A porta se abre e um homem sem muito esforço me puxa para fora da cela, eu sei que minha hora chegou, sinto-me aliviado. Não temo mais a morte, mas tenho medo de borboletas e tem uma mariposa bem ali.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Os mais fortes sobrevivem.
As drogas, a fome, os tiros, as mortes lá fora, nada disso é tão ruim quanto aparenta.
Nós da comunidade já nos acostumamos à vida assim, tráfico, violência e miséria são problemas enfrentamos diariamente, eu sei que você lendo isso parece um absurdo, mas se formos fazer uma comparação vocês teriam isso como desafios cotidianos, algo como transito, assistências técnicas ou filas no banco. São desagradáveis, mas dá para acostumar.
Às vezes nós temos fome. Às vezes vocês não têm uma mistura no almoço.
Raramente algum jovem morre prematuramente em sua sociedade, na nossa, alguns raramente sobrevivem.
A história mostra que não importa o local ou a época sempre há de existir um povo para ser oprimido, e por não podermos pagar por mais nada estamos pagando por esse fardo.
Vivemos em uma realidade diferente da sociedade, não vivemos a natureza humana. Classificam assim nossa condição por que têm medo de nos chamarem de subumanos, na realidade acreditam que somos animais e nos tratam de tal modo, usando de causas sociais e sentimento humanitário para alimentar suas estimações.
Esse é nosso meio de vida, assim vamos vivendo, sobrevivendo.
Como já disse as drogas, a fome, os tiros, as mortes, lá fora junto todos os demais problemas apresentados e assistido por vocês na televisão não são tão ruim como aparentam, não são tão ruim, pois são os problemas dos outros, o real problema é quanto tudo isso deixa de estar lá fora e passa a existir dentro da sua casa, ai a coisa começa a ficar feia para todo mundo.
É de natureza humana criar estereótipos, e pelo que dá para perceber vocês passam a idéia que nos da comunidade somos unidos, que gostamos e nos ajudamos uns aos outros, isso é mentira, apenas uma maneira de nos rebaixar como um todo, a verdade, é que somos egoístas, cada um aqui faria de tudo para sair dessa situação, nós apenas ainda não nos matamos uns aos outros pelo simples fato de que aqui não ter pelo que matar.
O problema é que precisamos sobreviver, o fato de sermos oprimidos não nos torna mais fracos, acredito que pelo contrário, somos fortes, temos mais condições para lutarmos por nossa sobrevivência, tantos anos tratados como animais nós levaram a pensar e agir como animais? Talvez. Temos instintos de caça, instintos de sobrevivência e como animais não temos razão ou moral. É a seleção natural moderna, e cada um faz o seu melhor para sobreviver.
Eu sinceramente peço que não me julgue, estou tentando expor minha situação para o senhor, na realidade somos todos animais, todos temos instintos e ao mesmo tempo todos somos humanos e temos coesão.
A diferença que nos leva no modo de agir é somente nosso habitat vocês deixaram de viver na selva, nós ainda não.
Porém nossa a essência é a mesma e com base nisso sei que como eu você dividimos de instintos paternos, e se estou correto o senhor será coeso o suficiente para ficar em silencio e na hora certa pagará o valor pedido para ter sua filha de volta.
Entrarei em contato.
Nós da comunidade já nos acostumamos à vida assim, tráfico, violência e miséria são problemas enfrentamos diariamente, eu sei que você lendo isso parece um absurdo, mas se formos fazer uma comparação vocês teriam isso como desafios cotidianos, algo como transito, assistências técnicas ou filas no banco. São desagradáveis, mas dá para acostumar.
Às vezes nós temos fome. Às vezes vocês não têm uma mistura no almoço.
Raramente algum jovem morre prematuramente em sua sociedade, na nossa, alguns raramente sobrevivem.
A história mostra que não importa o local ou a época sempre há de existir um povo para ser oprimido, e por não podermos pagar por mais nada estamos pagando por esse fardo.
Vivemos em uma realidade diferente da sociedade, não vivemos a natureza humana. Classificam assim nossa condição por que têm medo de nos chamarem de subumanos, na realidade acreditam que somos animais e nos tratam de tal modo, usando de causas sociais e sentimento humanitário para alimentar suas estimações.
Esse é nosso meio de vida, assim vamos vivendo, sobrevivendo.
Como já disse as drogas, a fome, os tiros, as mortes, lá fora junto todos os demais problemas apresentados e assistido por vocês na televisão não são tão ruim como aparentam, não são tão ruim, pois são os problemas dos outros, o real problema é quanto tudo isso deixa de estar lá fora e passa a existir dentro da sua casa, ai a coisa começa a ficar feia para todo mundo.
É de natureza humana criar estereótipos, e pelo que dá para perceber vocês passam a idéia que nos da comunidade somos unidos, que gostamos e nos ajudamos uns aos outros, isso é mentira, apenas uma maneira de nos rebaixar como um todo, a verdade, é que somos egoístas, cada um aqui faria de tudo para sair dessa situação, nós apenas ainda não nos matamos uns aos outros pelo simples fato de que aqui não ter pelo que matar.
O problema é que precisamos sobreviver, o fato de sermos oprimidos não nos torna mais fracos, acredito que pelo contrário, somos fortes, temos mais condições para lutarmos por nossa sobrevivência, tantos anos tratados como animais nós levaram a pensar e agir como animais? Talvez. Temos instintos de caça, instintos de sobrevivência e como animais não temos razão ou moral. É a seleção natural moderna, e cada um faz o seu melhor para sobreviver.
Eu sinceramente peço que não me julgue, estou tentando expor minha situação para o senhor, na realidade somos todos animais, todos temos instintos e ao mesmo tempo todos somos humanos e temos coesão.
A diferença que nos leva no modo de agir é somente nosso habitat vocês deixaram de viver na selva, nós ainda não.
Porém nossa a essência é a mesma e com base nisso sei que como eu você dividimos de instintos paternos, e se estou correto o senhor será coeso o suficiente para ficar em silencio e na hora certa pagará o valor pedido para ter sua filha de volta.
Entrarei em contato.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Com a boca no Gatilho - Parte 2
Ele queria odiá-la, pelos anos jogados no lixo, pela confiança traída, pelas crianças e principalmente por orgulho. Ele sabe que deveria odiá-la, ele desejava odiá-la e seu desejo acima de tudo era um desejo de morte.
Mas ele é fraco, ele a ama.
Com as crianças passando o fim de semana na casa da avó seu desejo era de que pudesse passar uma noite inesquecível com a mulher, vinho, musica romântica, sexo. Jurou a si mesmo que iria foder ela como nunca fodeo com outra, iria lhe dizer que a perdoava, iria lhe fazer carinhos madrugada adentro e daria um presente cujo qual ela nunca poderia esquecer: Uma bala na cabeça.
Em seus pensamentos tudo era perfeito, mas a realidade era contrária aos seus sonhos, na realidade ele era um fodido.
Suas crianças não voltariam para casa. Sua mulher esta noite provavelmente irá foder com outro homem de uma maneira que com certeza que ele nunca conseguiria e sabe que o máximo de romantismo que conseguiria ter seria uma punheta bem batida.
Fodido ou não está é sua noite, esta é sua oportunidade e este é seu momento. Volta à escrivaninha , substitui o vinho por outro copo de cachaça, coloca sem pressa sua única bala no velho 38, e o som do tambor girando cria música onde antes só havia respiração.
Uma mão carrega o tambor enquanto a outra tenta carregar a alma de coragem. Começa encontrar prazer na bebida barata que agora mais rapidamente vai se esvaziando do seu copo e por um instante acredita ter encontrado a solução para seus problemas, por um instante acredita ter encontrado a solução para todos os problemas do mundo, apenas por um instante, apenas por mais um momento de fraqueza.
Com poucos orgulhos na vida ele não desiste da decisão, era ele ou ela, não suportaria a idéia de um mundo onde um dos dois estivesse vivo, mas ele é fraco, ele a ama e como um dos dois tinha de morrer resolveu salvar a vida de sua amada tirando a própria, tudo isso parece muito bonito, muito poético e seria se sua escolha não se baseasse também no fato dele ser um fodido e sua vida ser uma merda.
A música para.
Seu braço calmamente levanta o revolver até a altura da cabeça, o tambor aponta a região do crânio acima da orelha tirando qualquer visão que poderia ter da cena. Suas mãos tremem e evidenciam o quanto é fraco, toma mais um trago sabendo que nada adiantará. Arrepende-se de ter apenas uma bala, com uma bala no tambor sua chance de sobreviver ao primeiro disparo é de 5 em 6.
Clack.
Não foi desta vez que pode descobrir o quanto a bala quente se distingue do gatilho frio.
Ele não suporta a dor de viver sem ela, ele não suporta a dor de ter sido traído.
Ele é fraco, ele a ama.
Apenas mais um trago.
Apenas mais uma chance.
Apenas mais uma nota. BAM.
Apenas mais uma vida.
Mas ele é fraco, ele a ama.
Com as crianças passando o fim de semana na casa da avó seu desejo era de que pudesse passar uma noite inesquecível com a mulher, vinho, musica romântica, sexo. Jurou a si mesmo que iria foder ela como nunca fodeo com outra, iria lhe dizer que a perdoava, iria lhe fazer carinhos madrugada adentro e daria um presente cujo qual ela nunca poderia esquecer: Uma bala na cabeça.
Em seus pensamentos tudo era perfeito, mas a realidade era contrária aos seus sonhos, na realidade ele era um fodido.
Suas crianças não voltariam para casa. Sua mulher esta noite provavelmente irá foder com outro homem de uma maneira que com certeza que ele nunca conseguiria e sabe que o máximo de romantismo que conseguiria ter seria uma punheta bem batida.
Fodido ou não está é sua noite, esta é sua oportunidade e este é seu momento. Volta à escrivaninha , substitui o vinho por outro copo de cachaça, coloca sem pressa sua única bala no velho 38, e o som do tambor girando cria música onde antes só havia respiração.
Uma mão carrega o tambor enquanto a outra tenta carregar a alma de coragem. Começa encontrar prazer na bebida barata que agora mais rapidamente vai se esvaziando do seu copo e por um instante acredita ter encontrado a solução para seus problemas, por um instante acredita ter encontrado a solução para todos os problemas do mundo, apenas por um instante, apenas por mais um momento de fraqueza.
Com poucos orgulhos na vida ele não desiste da decisão, era ele ou ela, não suportaria a idéia de um mundo onde um dos dois estivesse vivo, mas ele é fraco, ele a ama e como um dos dois tinha de morrer resolveu salvar a vida de sua amada tirando a própria, tudo isso parece muito bonito, muito poético e seria se sua escolha não se baseasse também no fato dele ser um fodido e sua vida ser uma merda.
A música para.
Seu braço calmamente levanta o revolver até a altura da cabeça, o tambor aponta a região do crânio acima da orelha tirando qualquer visão que poderia ter da cena. Suas mãos tremem e evidenciam o quanto é fraco, toma mais um trago sabendo que nada adiantará. Arrepende-se de ter apenas uma bala, com uma bala no tambor sua chance de sobreviver ao primeiro disparo é de 5 em 6.
Clack.
Não foi desta vez que pode descobrir o quanto a bala quente se distingue do gatilho frio.
Ele não suporta a dor de viver sem ela, ele não suporta a dor de ter sido traído.
Ele é fraco, ele a ama.
Apenas mais um trago.
Apenas mais uma chance.
Apenas mais uma nota. BAM.
Apenas mais uma vida.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Assinar:
Comentários (Atom)