Se coubesse a mim a decisão de escolher um único ponto de aprendizado dentro os muitos que podem ser relacionados à sétima arte eu escolheria o clichê.
Por traz de todo conhecimento técnico, todos os roteiros fantásticos, os documentários, por traz de toda moda alternativa, todo falso e real intelectualismo, daquela cena que você considera um clássico do lirismo moderno, por traz de toda filosofia cinematográfica, estão os clichês.
Muitos "amantes" do cinema podem me criticar, mas difícil não é entender (com exceção de island empire) as maluquices de David Lynch ou a perturbada Psicologia de Von Trier, difícil mesmo são entender os clichês. Os clichês são o que nos filmes, enxergo maior proximidade à vida. A grande maioria de nós nunca esteve em uma guerra, nunca cometeu assassinatos ou teve de salvas os estados unidos da América, mas acredito que quase a totalidade das pessoas aqui já gostou de outra pessoa e acabou se sentindo triste por causa de um fato ou outro, algumas como eu até acabaram escrevendo sobre isso.
Não sei se aprendizado seria a palavra correta, sentir talvez caísse melhor, pois foi sentir e pensar em um clichê que me levou a fazer a comparação.
Um dos maiores clichês existentes se referem a presidiários e diz que todos na cadeia são inocentes, salvas as devidas proporções, os que realmente são inocentes entendem como estou me sentindo e sabem que quando culpado é muito mais fácil se defender por poder criar o argumento que bem entender já que sua defesa é baseada em mentiras, enquanto nós inocentes só contamos com a verdade.
Certamente aprendizado não seria a palavra correta.
Romances, estes são recheados de clichês e a vida é recheada de romances, talvez alguns diretores consigam transformar amores em clichê, mas nenhum clichê poderá um dia definir o amor, a amizade, o bem que uma pessoa pode fazer a outra, por isso é difícil entender os clichês , eles são carregados de sentimentos, e sentir é muito mais difícil que aprender.
Sentir definitivamente é a palavra correta.
Racionalmente eu não pegaria um vôo atrás de alguém que está partindo, não pediria desculpas que acredito não serem necessárias, não faria nenhuma maluquice que aprendi na sessão da tarde, acredito que quase ninguém faria isso, se fizesse foi por que aprendeu ao invés de sentir, eu estou sentindo e estou fazendo o acredito ser o equivalente a essas maluquices na vida real, tentando explicar o inexplicável através de palavras.
E se a vida pode tirar algo dos clichês, eu espero que no final de tudo certo entre nós.
Desça do avião estou esperando.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
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